quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ministério da Saúde e movimento social debatem novos rumos do combate à aids e mudança para atenção básica segue divergente

21/11/2013 - 16h15

Com a presença do ministro da saúde, Alexandre Padilha, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde reuniu-se com representantes do movimento social de aids, em Brasília, nos dias 19 e 20 de novembro, para apresentar e discutir novas políticas de enfrentamento da epidemia. Um dos temas mais discutidos foi a transferência do atendimento dos pacientes com HIV/aids para a atenção básica (AB). O assunto é um dos que mais geram discordância entre gestores e ativistas atualmente. 

Na reunião de terça-feira, dia 19 de novembro, com cerca de 30 participantes, foram apresentadas aos ativistas experiências em curso na AB  na área de DST/Aids. Para o diretor do Departamento, Fábio Mesquita, esse momento marca a nova etapa do órgão. 

“Essas mudanças que estão sendo implementadas fazem parte de uma retomada do Departamento à linha de frente do combate à epidemia de aids, pautado pela inovação tecnológica e científica e pela participação democrática dos diferentes atores da luta contra a epidemia de aids”, disse. 


O ativista Carlos Alberto Duarte, do Rio Grande do Sul, no primeiro dia do encontro, falou em nome do movimento social a respeito da questão. Duarte levou a posição dos ativistas, alinhada após o Encontro Nacional de ONGs/Aids (Enong), em Salvador, que questiona a transferência do tratamento para a rede básica por temer que o serviço não consiga atender toda a demanda. 

“A questão não é exatamente a AB mas, do jeito que ela está estruturada hoje, ela já não dá conta de todos os seu serviços. É complicado falar que vai dar conta de mais um, ainda mais do HIV/aids, que é caracterizado por média complexidade”, defendeu Duarte. 

O movimento social definiu que é importante a testagem estar instalada na rede básica de saúde, mas que o atendimento deveria continuar nos serviços especializados. Além disso, os ativistas concordaram, no Enong, que os serviços de testagem devem estar vinculados a um serviço de saúde, o que vai impedir, por exemplo, que sejam realizados em ONGs. 

Tal posição foi considerada um retrocesso pelo ministro Padilha, que esteve presente na reunião de terça-feira. Padilha afirmou também que o Brasil está a um passo de retornar seu papel de protagonista na luta de combate a aids em termos globais. 

Renato da Matta, do Grupo Pela Vidda de Niterói, lembra, no entanto, que a questão da realização da testagem por ONGs não é unânime no movimento. “Eu, por exemplo, sou a favor, mas desde que haja capacitação. E há ONGs sendo capacitadas e com respaldo do governo”, diz. 

Diálogo


Na opinião de Carlos Duarte, a reunião ampliada do dia 19 foi produtiva para o movimento social porque os ativistas conseguiram expor melhor sua posição. Segundo ele, a impressão que ficou é de que há a possibilidade de retomada do diálogo. "Não queremos que o Departamento já venha com uma posição tomada e sim que exista uma discussão de verdade”, disse Duarte. “É claro que há discordâncias, temos muito a discutir ainda e estamos longe do ideal”, continuou ele.

Nem tudo foi discórdia entre ativistas e governo. “Gostei de algumas coisas que eles divulgaram, como a distribuição, a partir de 2014, do gel com tenofovir”, destacou. 

Nana Soares - http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=21611